Doutora Responde – Psicóloga Patrícia Helena Borges Nery

Doutora Responde – Psicóloga Patrícia Helena Borges Nery

Venho recebendo várias mensagens, várias mesmo, de pessoas que estão sendo ajudadas pelo “Minuto Você”. Isso me fez imensamente feliz e me motivou a escrever mais sobre as doenças da mente e a sua cura. Semana passada estive conversando com a Dra. Patrícia Helena Borges Nery psicologa, psicanalista e consultora, a que faz as mensagens do “Minuto Você” e levei algumas perguntas à ela. Para não expor as pessoas  usamos apenas as iniciais.

Confira:

IMG_1473

L.O.: Após os 40 anos, as mudanças de humor são normais? O que pode ser feito para melhorar?

Não necessariamente, mudanças de humor podem está ligado a problemas hormonais, menopausa, tireoide. Se você está apresentando essas alterações consulte um médico, pra descartar essa questão física.  Todo mundo tem seus dias de mau humor..Até ai, tudo bem. Mas o mau humor é também um dos principais indicadores da distimia, uma forma leve de depressão. Pensemos agora nos aspectos psicológicos, a afetividade e humor. Afetividade é quem determina a atitude geral da pessoa diante de qualquer experiência vivencial. O humor, é a tonalidade afetiva que acompanha os processos psíquicos. Essas definições estão relacionadas aquilo que dá tonalidade à vida. A afetividade atribui valor a tudo em nossa vida: como os fatos e acontecimentos presentes ou passados, nossos medos, nossos conflitos, nossos anseios, etc.  A medicina chama de Transtornos afetivos às situações em que esse colorido que damos a realidade está ou mais para preto e branco ou tendendo para cores psicodélicas. A realidade não tem uma cor  em si, é  pessoal. Pense em todos os aspectos de sua vida, suas relações, o está representeando a sua idade, e qual a cor que está prevalecendo. Se tiver sem cor procure um profissional…

A.: O que fazer quando se tem muito medo de coisas novas, de dar um passo à frente e enfrentar novos desafios? Sou casada, sou mãe há pouco tempo e tenho 29 anos.

Há muitos medos que nos são incutidos, implementados de uma forma absolutamente desnecessária e desproporcional. Eles estão relacionados à nossa história de vida, especialmente à nossa infância. Muitos pais ou responsáveis educam as crianças usando mecanismos repressivos do medo.Esses medos que são colocados na infância vão ficando dentro de nós, desenvolvendo-se e tomando proporções maiores sem ser resolvidos, e com isto nós iremos crescendo e modelando a nossa personalidade insegura. Existem algumas estratégias para se vencer o medo:

1.Detectar e regular as suas respostas emocionais:

  É aceitá-lo e admiti-lo (nem sempre é fácil).

 Aprender a reconhecer a sua resposta emocional ao medo, que   se expressa fisicamente.

     2. Questionar os seus pensamentos negativos:

Sempre que começar a pensar de forma negativa na presença do seu medo, force-se a parar o seu pensamento. Diga a si mesmo “Basta”, “Para”.

 Desenquadre o seu raciocínio focando-se em pensamentos positivos e construtivos.

      3. Ficar no momento presente: AQUI E AGORA ! Ao invés de se preocupar com o que está por vir, redirecione a sua atenção para o que está aqui e agora.

      4. Exponha-se gradualmente ao seu medo: Construção da sua escala   hierárquica de situações temidas pode atribuir uma nota (indo de 1 a 10) de ansiedade para cada situação invocada.

    5. Lembre-se do que você já conquistou:Lembranças de situações que você venceu.

      6. Perante um período de medo, viva um dia de cada vez: Preocupação com o futuro gera ansiedade.

 Nós somos os únicos autores e interpretes da nossa vida. Portanto o modo como nós interpretamos e compreendemos a solução ou a importância diante do medo, poderá nos lançar ou abortar o nosso projeto de vida. Cabe-nos uma ressignificação da nossa vida.

P.P.: Todas as mensagens do “Minuto Você” falam diretamente com os meus problemas. Porque? Estou em depressão?

As mensagens são apresentadas para fazer as pessoas refletir e graças a um mecanismo psíquico de identificação que todos nós temos,que é baseado na assimilação de um aspecto do outro, características ou qualidades de outros, que se transformam em modelos para  nós. Esse mecanismo é à base da constituição da personalidade humana.

 Isto acontece por causa da identificação, e não por doença é um mecanismo que todos nós temos e que usamos nas nossas relações sociais e afetivas. É graças a este mecanismo que nós conseguimos nos colocar no lugar do outro e termos empatia.

IMG_1488

M. P.: Acabo de me separar, era casada há anos, estou enfrentando dias de muitas tristezas. O que pode ser feito para voltar de nova à vida?

Esse período de tristeza faz parte do processo de luto, de uma relação foi rompida. Toda aquela energia que estava canalizada para a pessoa amada, agora se encontra solta. O luto é um processo necessário e fundamental para preencher o vazio deixado por qualquer perda significativa não apenas de alguém, mas também de algo importante, tais como: objeto, viagem, emprego, ideia, etc. Estudiosos descrevem cinco estágios para as experiências de luto, que não necessariamente acontece nessa ordem que está sendo apresentado:

– Negação: a ficha não caiu, não acredita, há uma anestesia emocional;

-Negociação: você se vê sozinha, tem um vazio, lembra-se do lado bom e quer negociar a volta;

-Raiva: você perdeu, porque eu?, existe um lado ferido, ninguém está preparado para perder;

-Tristeza: você toma consciência que a perda é inevitável e incontornável;

-Aceitação: aceita a perda com paz e serenidade, o espaço vazio deixado pela perda é preenchido. Há uma aprendizagem.

Viva cada fase se permitindo sofrer, sem significar mergulhar de cabeça sem volta, tomando consciência, fazendo um balanço de você mesmo e que  as responsabilidades são dos dois, que não existe relacionamento perfeito. E agora, a partir do que você aprendeu sobre você, que tipo de relacionamento você quer. Relacionamentos felizes tem que começar com a gente mesmo, se não continuamos a repetir padrões.

B.L: As pessoas parecem ter dupla personalidade, uma personalidade nas redes sociais e outra na vida real. Por que isso tem ocorrido? Como saber qual é a real personalidade da pessoa?

As pessoas são as mesmas, online ou of-line. Mas a internet tem a ver com respostas rápidas. As pessoas falam sem pensar. É diferente da experiência social off-line, em que você se policia por conta da proximidade física do interlocutor. Nós já estamos acostumados com a ideia de que nosso comportamento obedece a regras sociais, mas ainda não percebemos que o mesmo vale na internet.

O Comportamento Agressivo consiste na defesa dos direitos pessoais e expressão dos pensamentos, sentimento e opiniões de uma maneira inapropriada e não positiva que transgrede os direitos das outras pessoas.

O objetivo habitual da agressão é dominar as outras pessoas. A vitória assegura-se por meio da humilhação e da degradação. O comportamento agressivo é o reflexo de uma conduta ambiciosa, que tenta conseguir os objetivos a qualquer preço, inclusivamente se isso supõe transgredir as normas éticas e pisar os direitos dos outros. As redes sociais encorajam pessoas com posições extremas a se sentirem mais confiantes para expressá-las. Pessoas que se sentem impotentes ou frustradas se comportam desta maneira para se apresentarem como se tivessem mais poder. E as pessoas costumam se sentir mais poderosas tentando diminuir ou ofender alguém.

C.N.: Trabalho na mesma empresa que meu esposo, percebo que em alguns momentos os  problemas familiares interferem nos problemas da empresa e vice versa. Como faço para separar os problemas de casa e da empresa?

O ideal é que os casais que trabalham juntos busquem resolver as questões de casa em casa e as do trabalho no trabalho, adotando estratégias de conciliação de tempo e espaço.

O importante é que, no ambiente de trabalho, cada um se responsabilize por fazer as suas tarefas com qualidade, pontualidade, independentemente do relacionamento afetivo que tem fora da empresa. “Relacionamentos construtivos podem, inclusive, fortalecer a equipe e a companhia como um todo”.

L.M: Como motivar meus vendedores em tempos de crise?

O conceito de crise para a psicologia é explicado como toda a situação de mudanças a nível biológico, psicológico ou social, que exige da pessoa ou do grupo, um esforço suplementar para manter o equilíbrio ou estabilidade emocional. Corresponde a momentos da vida de uma pessoa ou de um grupo em que há ruptura na sua homeostase psíquica e perda ou mudança dos elementos estabilizadores habituais. A crise é vista, como uma ocasião de crescimento. Através de novas soluções poderemos chegar mais rapidamente à superação deste mau momento.

Saber que é necessário encontrar soluções criativas nos permite abandonar velhos recursos que não satisfazem mais e exercitar a reflexão para buscar novas respostas. Parece pouco, mas é um bom começo. Livrar-se da expectativa de repetir comportamentos anteriores e, mais ainda, abandonar a crença de que a responsabilidade pelo nosso bem-estar depende de autoridades superiores ou de intervenções divinas nos coloca em uma trilha adequada para o encontro com nossa própria criatividade.

 Muitas vezes mudança de olhar com a ajuda de alguém de fora e a participação dos colaboradores podemos encontrar respostas surpreendentes.

IMG_1477

C.B.: As pessoas destilam o tempo todas suas maldades na internet nas redes sociais. Insultos, racismos, entre outros absurdos com o intuído de atingir o outro. Por que as pessoas tem essa necessidade em  atacar o próximo, principalmente em redes sociais?

A internet é um território onde há liberdade de pensamentos e ações irrestritos. Há quem use esse privilégio democrático para promover calúnia, difamação, preconceito, boataria. O anonimato dá coragem para falar o que bem entender ao outro sem sofrer as consequências visíveis e imediatas disso.  Um dos problemas do acúmulo de sentimentos negativos no ambiente online é a perda da consciência do outro. As pessoas acabam se esquecendo de que, do outro lado da tela, estão pessoas com sentimentos reais e exageram na dose.Esse ódio manifestado nas redes sociais, na maioria das vezes, está ligado ao sentimento de negação, ao ver uma opinião tão diferente da sua, dá inveja. “Nós sentimos raiva daquilo que não podemos ter ou ser”. E esse sentimento é um mecanismo de defesa da inveja. Como é tão vergonhoso admitir a inveja, mesmo para nós mesmos, nós dizemos então que temos raiva. Apesar de expressar-se mediante a força da agressividade, ela nos enfraquece. A raiva surge quando nos sentimos fracos e frustrados aos termos de reconhecer nossos limites internos e externos. O maior problema é quando esse ódio passa a ser constante, uma espécie de estado natural da pessoa. Sentir raiva com frequência pode indicar alto grau de estresse ou até mesmo alguma patologia.

R.G.: Tem muita fofoca na minha empresa, já chegou ao ponto de envolver clientes. Como agir diante dessa situação, dispensar os funcionários é a melhor solução?

Fofoca no ambiente de trabalho é o exemplo de uma situação embaraçosa da qual ninguém, ou quase ninguém, consegue ficar imune. O ideal é aprender a lidar com a situação e não deixar que ela atrapalhe o clima organizacional.  Para começar, fofoca surge na falta de informação do grupo ou na má intenção de uma pessoa. Fofocar é falar sem prova, normalmente baseado no que uma pessoa sente ou, melhor, naquilo que quer fazer o outro sentir.

Por isso, é papel da empresa e principais lideranças não ignorar a existência de tal prática e posicionar-se de maneira séria em relação a isso. A presença de uma liderança transparente, próxima, que seja capaz de perceber os movimentos de mudança (humor da equipe, alteração em relações de trabalho, clima organizacional), e filtrar as atitudes que interferem na formação do clima da equipe condiciona o crescimento de uma equipe engajada, cheia de confiança mútua e vazia de mentiras ou rumores.

Para tanto, a comunicação da empresa tem que ter clareza e transparência quando ocorrem mudanças na empresa (desligamento, contratação, promoção ou transferência de alguém) a todos os envolvidos direta ou indiretamente seja realizado o quanto antes, preferencialmente por um porta-voz. É sabido que a informação transita com facilidade e, entre a informal e a oficial, há espaço para deturpações da mensagem.

A eficácia do combate à fofoca é nunca da consistência ao Outro, ou seja,  exatamente por sua característica de incerteza, a fofoca, pede para ser comprovada e não há melhor comprovação que aquela oriunda do fofocado, através de ações do gênero: desmentido, irritação, agressão, disfarce. O fofocado nunca deve assumir o lugar de condenado que lhe é proposto, assim fazendo, a fofoca voltará como descrédito a quem a inventou.

Então,  quando você  for contar algo a alguém, analise essas três perguntas: 1) O que você tem a dizer é algo comprovado? 2) Você gostaria que falassem o mesmo de você? 3) O conteúdo agregará positivamente à empresa ou ao ambiente de trabalho? Caso alguma resposta destas perguntas seja não, prefira guardar para você.

E se você quer fugir desse tipo de comportamento, faça a sua parte: 1- Não ouça; 2-  Não transmita o que foi passado; 3- Não seja o difusor de informações que podem virar fofoca; 4- Não se omita; 5- Não se comprometa.

 

Obrigada Dr.a Patrícia pela disponibilidade!

Espero ter ajudado!

Continue assistindo ao “Minuto Você”, todos os domingos no meu IG, a cada domingo uma mensagem diferente.

Caso você precise ou queira indicar a psicanálise a alguém, A Dr.ª Patrícia atende na Rua: I Qd 15 Lt18 s/nº Parque Buritis II , Rio Verde GO –  Fones: (64) 9675 2054/9263 0118/8107 8690.

E-mail: patriciahbnery@hotmail.com

Beijinhos!!!

Thay

Gostou? Então compartilhe 🙂Share on FacebookTweet about this on TwitterShare on TumblrPin on PinterestShare on Google+Share on StumbleUponEmail this to someone

Autor

admin
Thaylline foi modelo, foi colaborado de um blog de moda com postagens semanais, liderou lojas no varejo de moda em artigos de roupas e sapatos, é colunista de moda da revista RV e apresentadora do programe-te "Thay Na Moda" da TV Sucesso afiliada TV Record.